Bem vindo...

A consultoria é um misto de conhecimento, muita informação, informação constantemente atualizada, empatia, percepção, sintonia interna e empatia, visão sistêmica, facilidade de encontrar caminhos e soluções, propensão e arte para a ação, novamente empatia, muito bom senso e muita facilidade de interação pessoal. Enfim, é simples, mas não é fácil!



O ócio inesperado e a vida que continua


Nunca, mas nunca mesmo na história deste país, passei por este momento. Sempre tive medo de algum dia ficar desempregado. Esse dia chegou.

Aos 43 anos de vida, no auge da maturidade sexual, afetiva, profissional, espiritual e... desempregado.

Estou há pelo menos dois meses sem atividade profissional, sem remuneração e sem expectativa de encontrar algo tão cedo. Sempre mudei de emprego, despedi meus empregadores e partir pra várias melhores. Hoje sou o homem sem trabalho. O ócio é minha atividade mais frequente nesses últimos tempos. Improdutivo, sem renda e me sentindo sem valor algum na sociedade.

A falta do que fazer me faz procurar atividades quaisquer para que o tempo passe. É uma limpeza na casa, uma navegada na internet, alimentar os bichos, ajudar minha esposa a fazer o almoço/jantar (às vezes adiamos algumas dessas atividades para ter o que fazer no dia seguinte), interagir com a família dela que agora também é minha, assistir filmes e documentários interessantes ou arrepiantes. Tudo isso em busca de alguma coisa pra ocupar a mente.

Escrever esse post também está sendo uma atividade e tanto. Ocupa a mente pra katanga.

Ouvir música, escutar e dialogar com a companheira todos os tipos de temas (políticos, humanitários, besteirols), namorar bem gostozin, cuidar da higiene, olhar, rs... só olhar o jardim e de vez em quando mexer em alguma planta, retirar o cocô da Tereza, observar o ninho de bem te vi com filhotes no pinheiro do nosso quintal, ir ao mercado. Assim que me levanto (e nem posso dizer que é de manhã cedo, pois não é) parto pra outras atividades: dar leite no pires pro Freddy e pra Tereza, responder aos e-mails sobre currículos que enviei, preencher formulários eletrônicos em busca de vagas, ler o noticiário no G1 e em outras fontes (sempre desconfio da Globo), postar coisas legais no Facebook (pelo menos eu acho), sentar no sofá da sala e ficar de bobeira ouvindo os risos da mulher muito amada enquanto vemos algo engraçado.
Há tanto pra fazer quando não estamos fazendo nada, inclusive ficar parado. Mesmo assim me pego de bobeira pensando “por que não estou embrenhado em alguma causa humanitária, aproveitando esse tempo e me doando a quem realmente precisa de braços, de uma conversa, de atenção?”.  Volto a pensar na vida que vivo e me lembro que antes de ajudar ao próximo, será imprescindível ajudar a mim mesmo e, enquanto essa desculpa colar, vou adiando um pouco mais.

Mas e aí? O que tô fazendo de errado? - me pergunto. Ouço uma voz lá no fundo, um sussurro de um velho sábio: “Está apenas vivendo, meu caro... Pois a vida é assim, cheia de altos, baixos e médios, com picos de tirar o fôlego e também calmaria desesperadora, onde se olha o mar a sua frente e não se vê nada, apenas água”. “Mas - continua o velho sussurrando – se tiver um olhar mais profundo, verá que mesmo nisso que chama de ‘apenas água’ existe um universo de vida borbulhante que se perde ao olharmos apenas a superfície”.

Lembro constantemente de uma conversa com a Lylian minha esposa, sobre se enclausurar por um tempo, pra se transformar, adquirir fôlego novo e depois recomeçar. É assim que ela pensa e pratica. Eu fico no questionamento. Ooo caboclo pensador que sou. Não estou acostumado a dar um tempo, nunca precisei pensar na vida enquanto ela profissionalmente não acontece. Dinâmico, sempre me embrenhei no trabalho e me especializei em algumas coisas, geralmente atividades que facilitariam o operacional de alguma empresa ou grupo de pessoas. Sempre profissional, achando que viver é ser produtivo e algumas poucas vezes humano. Salvo ocasiões em que resolvi escrever sobre alguma coisa (o blog, podem perceber, se iniciou com uma proposta de discutir sobre o mundo corporativo, mas depois foi mudando), me empenhar em práticas esportivas que dominava bem (putz... voar de paraglider e mergulhar de scuba diver, noossaaa!!!), viver para os filhos em um casamento que se iniciou errado, cultivar poucas amizades sólidas, frequentar grupos sociais geralmente voltados para atividades profissionais, me separar do casamento errado mas que me ensinou muito, mas continuar vivendo para os guris. Mesmo assim e apesar de todas essas coisas, a impressão que tenho é de ter vivido uma vida corporativa e só.

Obviamente essa visão não é só minha. Muitos pais e mães de famílias, velhos e jovens estão na mesma “vibe”. Somos criados para produzir. Mininu o que você vai ser quando crescer? – é o que nos perguntam quando criança. A escola, a família, a sociedade como um todo está sempre cobrando isso. E muitos lares se desfazem quando o desemprego ronda. Muitas pessoas se desestruturam quando não conseguem uma recolocação no mercado. Pois se enxergam apenas como operários, se esquecem que são gente. Gente que vive, que existe e que está aí com várias missões no mundo, uma delas é o trabalho. Porque a sociedade atual está moldada dessa forma, o sujeito que não trabalha perde o crédito na praça. Sem dinheiro se vê limitado à infinidade de coisas. Não tendo mais a habilidade de plantar e caçar, morre de fome ou vai roubar. * Atenção: Os exageros são permitidos neste texto, pois trata de desabafo literário sem pretensão de ensinar porra nenhuma!

Como quase tudo que fazemos na vida em sociedade está ligado ao trabalho, agora sem atividade profissional, me vejo num mundo novo em que a visão se amplia. Apesar das assustadoras preocupações de um desempregado, estou refletindo muito e reaprendendo a ser um humano comum, com uma vida a ser partilhada com a esposa, família e amigos. Vivendo em uma sociedade que te reconhece mais pelo que você produz e menos pelo que é.  E por não possuir talentos especiais, vivo a normalidade do homem comum, “verborrajando”  e soltando os demônios, mas mantendo a serenidade e a compreensão de que viver é isso.

O mundo é incrível, nós é que somos indiferentes


Esse post marca novamente o retorno ao blog,  dessa vez vai, rs.
É algo que sempre quis escrever, mas por falta de tempo, veio outro e "pimba!".Texto extraído do site papodehomem.com.br (ah, por que simplesmente não colou aqui um link pro site? 
Well, tô querendo voltar a escrever e essa é uma maneira de retomar o blog, primeiro lendo outras coisas, depois opinando sobre e por último escrevendo algo realmente meu)
Autor: Alberto Brandão
Boa leitura!
O comediante Louis CK tem uma entrevista fantástica, intitulada “tudo é incrível e ninguém está feliz”.
Com esse olhar que começo esse texto:
Vivemos em uma das eras mais fantásticas da nossa história e nossos contemporâneos estão por aí perdendo tudo isso, olhando uns para os outros com um olhar blasé, com a indiferença de quem está acostumado com tudo e não dá a mínima para o que está acontecendo.
Desde que nossos ancestrais mais antigos saíram da pangeia, que aprendemos a cultivar nossa própria comida e nosso cérebro sofreu uma enorme mudança, sendo capazes de compreender informações e melhorar processos. Desde as pirâmides, Grécia antiga, Roma, escola de Pitágoras, grande muralha da china, ENIAC ou qualquer outro marco evolucionário que possamos destacar.Nunca tivemos acesso tão fácil a tanta informação.
Temos acesso praticamente ilimitado a todos os assuntos existentes e, se não conseguirmos achar nada sobre isso, podemos encontrar alguma pessoa que nos apontará uma pista de onde procurar. Podemos acessar praticamente qualquer material, sabendo que ter ou não dinheiro, nunca importou tão pouco.
Nossas pequenas caixas de areia
Gostamos de nos portar como pessoas evoluídas, mas conhecimentos valiosos estão morrendo com as pessoas mais velhas, simplesmente porque não sabemos dar o devido valor. Gostamos de nos iludir, achamos que desfrutamos de um imenso mar de conhecimento, quando na verdade, estamos brincando em uma caixa de areia, onde sentimos uma vaga ideia de como seria navegar nesse mar.
A internet tem uma quantidade ridiculamente grande de sites, blogs, fóruns e todo formato agregador de conteúdo. Eu sei que você sabe disso. Mas qual a última vez que navegou além das páginas que acessa com frequência? Quando foi que tentou entender um assunto além dos dois primeiros parágrafos da Wikipédia? Somos uma raça superficial, nos tornando cada vez mais superficial.
Nadamos segurando na borda da piscina, só sabemos aquilo que conseguimos enxergar da borda.
Quando foi a última vez que ouviu um álbum por inteiro? Escutou todas as músicas, na ordem que foi planejado e organizado? Quando foi a última vez que procurou escutar músicas que nunca ouviu antes? Compositores clássicos, estilos diferenciados, artistas de um país tão pequeno, que não sabe pronunciar o nome? Já escutou um Rock Nigeriano? Ou uma escola de samba finlandesa?

Podemos ter acesso a tudo isso, mas insistimos em nos manter dentro dos limites da nossa caixa.
Não há tanto tempo assim desde que eu precisava esperar uma música passar na rádio, para gravar e poder ouvir de novo. Os mais novos não conhecem a frustrante sensação de ouvir uma musica fantástica na rádio e nunca mais encontrá-la novamente.
Podemos escutar toda música que já passou no mundo. Tudo que está passando agora e nem sonhamos.
Novamente, nunca foi tão fácil.
E pior, sistemas estão sendo desenvolvidos para nos colocar cada vez mais dentro desta caixa. Seu tocador de música sugere coisas idênticas ao que está escutando, seu site de vídeos e filmes sugere similaridades do que gosta, e você, sem perceber, se fecha em um mundo inteiramente limitado. Sites de busca mostram resultados filtrados para se parecer com o que mais procura, redes sociais mostram apenas conteúdo dos amigos que mais conversa. Sem perceber, você vai ficando preso a uma realidade.
De repente, todo mundo tem uma opinião similar à sua. Tudo diz o que você quer ouvir, assim, sua ilusão se torna cada vez mais real.
Você está sendo tratado como uma criança mimada, com pais que não contrariam, só mostram o que vai agradar.
Deixe-se deslumbrar
Fotografias nem sempre foram acessíveis.
Quando criança, sempre quis ter uma máquina fotográfica, demorei muito tempo para ganhar a primeira e, ainda assim, filmes e revelação eram caríssimos. Não tirávamos foto de qualquer coisa. Fotografia era um momento especial, nos vestíamos apropriadamente para isso. Hoje em dia tenho quatro câmeras de qualidades diferentes em casa e não tiro fotos quase de nada.

Quando fotografias ainda eram pinturas, representando apenas aqueles que tinham poder para contratar um artista e ilustrar sua imagem, tudo era diferente. Mas imagine quantos momentos preciosos não foram perdidos por falta de uma simples câmera?
Agora que temos recursos amplos, todo aparelho celular tem uma câmera embutida, porque tratar isso como algo ruim? Certamente nossos ancestrais nos achariam malucos de desperdiçar toda essa possibilidade.
Por que nos incomoda tanto quando alguém posta foto de comida no instagram? Deixem as pessoas filmarem gatos sendo engraçados. Vamos editar de vídeos de Harlem Shake, afinal, quantas vezes em toda nossa história fomos capazes de gerar uma piada mundial, compreendida por todas as culturas?
Não somos obrigados a gostar e participar de tudo, mas o excesso de reclamação é tão ou mais chato que todos esses hábitos descritos acima.
Tudo é fantástico e você está perdendo tempo vendo apenas o lado negativo de tudo. Usei o exemplo das câmeras para ilustrar, mas temos feito isso com praticamente tudo. Estamos perdendo a noção de quanto tudo é fantástico.
Não precisamos nos tornar escravos da modernidade, mas não ver o quanto tudo é lindo e perder a oportunidade maravilhosa de viver e se deslumbrar com o mundo é bem triste.
Saiba desligar todos os seus aparelhos luminosos e passar um final de semana isolado em uma cachoeira. Mas sorria sozinho quando voltar pra casa, voando numa máquina de quase 80 toneladas.
Entenda quanto tudo é incrivelmente maluco e por isso, muito mais fascinante.

* * *
Meu complemento:
Escreverei depois um texto que indique o quão privilegiado somos, não em termos tecnológicos, mas em termos de evolução humana mesmo. Em breve, rs (dessa vez eu retorno mesmo ao blog).

Voltando a escrever...

Voltando ao cantinho... 
Que tal olhar o que estes escritores pensam sobre Escrever?
Quero fazer como Manoel de Barros...


O privilégio de não ser negão (Racismo e normalidade)

Peguei emprestado este texto do blog Papo de Homem (uma revista semanal de life style). O autor Alex Castro tem uma coluna que aborda esse tema com boa desenvoltura.
O texto é elegante, conciso, esclarecedor ao ponto de nos confirmar que no Brasil o conceito de raça existe sim, mas não é biológico e sim sócio-cultural-econômico. Pense nisso....


É impossível falar de racismo sem falar de normalidade. O racismo nada mais é do que uma implementação radical da normalidade. Só existe um “outro” que pode ser excluído porque existe uma normalidade intolerante que o define fora dela. Só existe racismo contra o negro porque ser branco é “normal”.
Vamos ver como isso funciona na prática.
De uma gota, extrapolamos o mar
De repente, aparece o Simonal e ela diz, empolgada:
– Meus deus, que negão lindo.
Daqui a pouco, de novo:
– Olha o charme desse negão, ele é o dono da plateia!
Eu não digo nada, mas abro os ouvidos. Ela também é fã do Roberto:
– Caramba, Alex, olha como esse homem era lindo. O que o tempo faz com as pessoas, meu deus?
Era batata. Quase todas suas referências (sempre elogiosas) ao Simonal destacavam sua raça – não chamando-o de “negro” (claro que não, aí pega mal) mas de “negão”, uma palavra que, dependendo do tom, virou apelido carinhoso.
Já em suas referências elogiosas ao Roberto, ele nunca foi chamado de “branco“, “brancão” ou mesmo “capixaba” ou “perneta“. Não: Roberto era sempre “ele”, “esse homem”, “esse cara”, “o rei”.
Assim como podemos extrapolar a existência do mar a partir de uma gota d’água, também podemos deduzir toda a desigualdade racial do Brasil só de ouvir atentamente uma típica brasileira falando sozinha durante um documentário.

Link YouTube | Trailer do documentário sobre o Simonal. Era ou não era um negão pintoso?
“Sou racista por me referir ao Simonal como negão?”
Se fosse interpelada, minha amiga ficaria imediatamente na defensiva:
– Pô, Alex. Sou fã do Simonal. Fomos ver o documentário da vida dele. Eu disse que o cara é lindo, fodão, dono da plateia, etc. E você vem me chamar de racista?
E eu responderia:
– Claro que não. Não chamo ninguém de racista. Isso não faz nenhuma diferença. Eu também falo assim. Quase todo mundo fala assim. A questão é que tipo de sociedade faz com que seus membros falem assim.
– Mas qual é o problema? Não posso chamar o Simonal de negão? Gente!, ele não era negão?
Então, vamos lá. Eu explico.
Pelo privilégio de não ser um “negão bonito”
Claro que ela pode chamar o Simonal do que você quiser. Ele não só morreu como já chamaram de coisa pior.
Mas é simples: enquanto nós, os brasileiros de todas as cores, na nossa fala cotidiana, sentirmos a necessidade de marcar, enfatizar, mencionar a raça do indivíduo negro, ao mesmo tempo em que NÃO sentimos a necessidade de marcar, enfatizar, mencionar a raça do indivíduo branco, então o branco continuará a ser sempre a norma, o normativo, o normal, a ideia paradigmática do brasileiro, enquanto o negro continuará a ser sempre um excluído, uma exceção, um outro.
Enquanto existir “o brasileiro” (que você fecha os olhos e visualiza branco) e “o brasileiro negro”, que é outra coisa, que é um qualificador possível de brasileiro, que é um tipo de brasileiro entre tantos outros brasileiros, continuaremos a ser sempre sempre uma nação racista.
Por que ela não disse “meu deus, que homem lindo!” ou “olha o charme desse cara” ou mil outras combinações? Por que, quando ela pensa no Simonal, “negro” ou “negão” já se impõem imediatamente como categoria?
Não, eu não estou culpando ela de nada. Não, eu não estou patrulhando minha amiga. Não, eu não estou proibindo-a de chamar o Simonal de “negão”. Não, eu não acho que ela seja racista, escrota, má pessoa.
Eu acho, isso sim, que ela, e eu, e você, crescemos em uma sociedade profundamente racista e desigual; que essa sociedade nos infectou desde cedo com seus valores e prioridades; e que essa sociedade existe através de nós e fala através de nós, uma sociedade que usa nossos corpos e mentes para se perpetuar através do tempo, e que somos seus cúmplices e possibilitadores mesmo quando discordamos dela.

Pequena história das relações raciais nos EUA, e no Brasil também.
(Eu sou ateu e falo “cruz credo” e “virgem maria” porque sou cidadão de um país profundamente cristão cujo único idioma é uma das línguas mais chovinisticamente cristãs do mundo. Quando a Igreja tentou impedir que os fiéis usassem os nomes de dias da semana baseados nos deuses pagãos e inventou do zero a sua própria nomenclatura, a língua portuguesa foi a única onde ela pegou. Todos os outros idiomas cristãos europeus ainda usam o sistema antigo, onde segunda é o dia da lua, logo Monday, Lunedi, Lunes, Lundi, etc. Ou seja, nossa língua é uma das mais carolas do mundo e até os seus falantes mais ateus não conseguem evitar completamente ser cúmplices disso.)
Então, o assunto aqui não é linchar minha amiga por ela “ser racista” ou impedi-la de falar do jeito como bem entende, mas simplesmente entender: por que ela, e eu e você, falamos assim? De onde veio isso? O que isso significa?
O que podemos aprender sobre o Brasil a partir do fato de que grande parte de seus cidadãos fala assim sem nem se dar conta?
Nada é mais difícil do que percebermos nossos próprios privilégios. É natural nos sentirmos a regra, a norma, o normativo: o outro é que tem menos, é que É menos.
(Uma das grandes diferenças entre homem e mulher: se você pergunta a um homem quando foi a última vez que sentiu medo de morrer, vai ouvir alguma história sobre uma aventura ou um quase crime acontecida meses ou anos antes; se pergunta para uma mulher, ela vai contar algo que aconteceu hoje de manhã ou ontem à noite. Para os homens, andar pela vida sem medo de morrer ou de ser estuprado é uma coisa tão normal que nem nos damos conta. Mas, do ponto de vista de uma mulher, esse é justamente um dos maiores privilégios masculinos.)

Link YouTube | Qual é a boneca feia??
Então, está na hora de nos darmos conta que um dos grandes, talvez o maior privilégio do brasileiro branco é justamente não ter sua raça mencionada, marcada, enfatizada o tempo todo.
O “outro” é sempre definido a partir do grupo ao qual pertence: “o negão lindo, “o japa esperto”. Só o normativo pode se dar ao luxo de não pertencer a nenhum grupo, de ser impermeável a rótulos. Ele é o único que pode dizer, na cara dura:
“eu sou só eu, um ser humano.”
E muitas vezes acrescentar, sem nem se dar conta da hipocrisia:
“como todo mundo.”
Esse é o enorme privilégio de poder ser “bonito” e não “um negão bonito”.
* * *
Continuamos a conversa em duas semanas, abordando de frente esse problemático conceito da “normalidade”. E fica uma pergunta, pra quem nunca pensou nisso: por que quase todos os personagens de anime são ocidentais e não asiáticos? Aliás, de que cor são os Simpsons? Por falar nisso, de que cor é a Turma da Mônica? Enquanto isso, você pode conferir outros textos que escrevi sobre racismo.

Novo ano, novas ações....

Olá...
De volta ao blog, neste novo ano que estamos iniciando. Apesar de já estarmos no terceiro dia ainda são válidas as mensagens que estou deixando abaixo. Uma fui eu quem fiz, a outra é de um grande amigo (Antonio Marmo) que, de tão tocante, resolvi compartilhar.



Para Reflexão

Quando 2011 começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração. Podia...
Hoje, ainda pode mas daqui a três dias não poderá mais; já não será seu. É um livro já escrito... Concluído.
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo. Estará fora de seu alcance.
Portanto, antes que 2011 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado. Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo. Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo. Que sirvam de exemplo para o próximo livro.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não, não tente arrancá-las. Será inútil. Já foram escritas. E com mais consciência também sirva de exemplo.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o.  Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele.
Não importa ...
Ainda que tenha páginas negras, entregue ao Universo e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E lembre-se:

Quando 2012 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual você irá escrever o que desejar... Não esqueça ...é teu e somente teu o teu livre arbítrio ...

FELIZ PÁGINAS NOVAS ...

Volto logo...

Como devem ter percebido, estou um pouco longe do blog. Parei um pouco...
Vou ficar sem me expressar por um tempo. Será necessário isso... É um tempo de reflexão.
Neste tempo pretendo ler mais, aprender mais. Um curso, uma pós graduação, um mestrado, acadêmicos ou vivenciais...
O fato é que este momento requer mudanças... Então, vamos lá.
Enquanto isso vou deixar umas dicas bem legais pra quem gosta de ler, de pensar, refletir, desde assuntos do mundo corporativo, relacionamentos, crescimento pessoal, dicas de como viver bem, ética, comer bem, diversão, com boas visões de pessoas bem preparadas profissionalmente e porque não dizer, humanas.
Acessem um site chamado saladacorporativa.com.br, é da amiga Claudia Klein e seus sócios/amigos/colaboradores. Vale a pena. Só não se acostumem tanto com a qualidade dos textos e dos assuntos, pois se não quando eu voltar encontrarei leitores muito exigentes...rs.... 
Mas a irreverência, com uma pitada de "non sense" misturada a assuntos corriqueiros, ainda poderá ser encontrada por aqui, de montão...he...he... 
Vou ali e já venho... até logo.

Franco da Rocha - cidade pitoresca

Aproveitando que nosso pequeno lugarejo virou notícia, vai aí um post que, inspirado, acabei escrevendo para homenagear essa nossa tão difamada cidade.



Onde moro pode-se ainda ver onça... 
Tem um ribeirão que vez ou outra aparecem por lá algumas capivaras... 
Uma reserva (Cantareira) que ainda tem seriemas e lagoas com pitus (camarões de água doce)... 
Um bairro chamado Mato Dentro que faz diviza com Atibaia, Jarinu, Mairiporã e Fco Morato, de onde dizem que um lobisomem anda por lá assaltando galinheiros... 
Cidade de gente simples que marca como ponto de encontro a estação de trem antiga no centro da cidade... 
Pra muitos é tida como cidade dormitório, onde a moradia é bem mais em conta e onde ainda existem terrenos sendo vendidos para construção da primeira casa própria... 
Lugar de encontro de migrantes de várias partes do país, com o predomínio de nordestinos, mas também tem por aqui paranaenses, goianos, mineiros e até cariocas, rs, e conheço um...
Daqui saem carregamentos de gente todos os dias a partir das 04:30 hs nos trens que distribuem, em cerca de meia hora, trabalhadores para essa São Paulo tão devoradora de  homens e mulheres, que ao final da jornada os devolve - homens cada vez menos homens e mulheres menos mulheres, moídos, carcomidos, esbagaçados de cansaço - de volta ao lar...
Já foi considerada cidade dos presídios, aparecendo nos noticiários revelando rebeliões em Febems e presos famosos internados nos manicômios não menos conhecidos... 
Cidadezinha que ainda é mais conhecida como a cidade dos loucos, mas loucos somos todos nós Francorrochenses, loucos por essa cidade que está tão próxima de São Paulo e tão arraigada nas coisas do interior do nosso Brasil...





Onça cinzenta, mais conhecida como Cougar ou Jaguar. 

A coitada assustada pelas queimadas em seu habitat, cada vez mais dizimado, num ato de desespero instintivo subiu o eucalipto e lá ficou amedrontada mais pelo Homem que pelo fogo...
Nossa cidade ainda tem esses sinais de vida selvagem... Mas até quando???